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CAPÍTULO 1 – O que é a fala de Xálima?

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CAPÍTULO 1

O QUE É A FALA DE XÁLIMA?

A fala, ou fala de Xálima, é a denominação comum para designar o valverdeiru (fala de Valverde do Fresno), o lagarteiru (fala das Elhas) e o manhegu (fala de São Martinho de Trevelho). Estas três falas, ou falares, ainda que sendo partes do mesmo grupo linguístico galego-português, apresentam diferenças gramaticais entre si que não têm impedido historicamente, nem impedem na atualidade, a intercomunicação dos falantes das três localidades.

A fala tem sido historicamente uma língua de carácter popular.

Quando falamos do carácter popular de a fala não nos referimos somente a que seja a língua de uso comum e familiar nas Elhas, Valverde e São Martinho de Trevelho, mas também exprimimos o seu carácter de classe, já que tem sido historicametne a língua das classes populares das três vilas.

A fala tem sido um forte elemento de coesão e de diferenciação dos habitantes do Vale de Xálima para o exterior, mas também funcionou internametne para marcar diferenças sociais: o nobre, o senho, o rico, sempre falaram em castelhano para mostrar a sua superioridade de classe, de poder, de autoridade,,, E não há muito, até recentemente, as famílias “abastadas” das três vilas inicametneutilizavam o espnahol, tanto nas suas cassas como com os vizinhos.

Inclusive os textos orais da cominidade falatnte quando se referem aso ricos do lugar, fazem-no em castelhano, como por exemplo o ditado de São marinho referente a uma antiga família latifundiária da vila:

“Quién es Dios? – Ojesto y otros dos.
Quién es el Espíritu Santo? – Ojesto y otros tantos”

Do carácter de classe da fala pode deduzir-se que a comunidade falante das três vilas tem sentido e vivido historicamente o uso do castelhano como uma imposição política do Estado e as classes dominantes que as obrigavam a isso. Pois ainda que a relação fala/castelhano tem significado, em primeiro lugar, a identidade do «grupo-nós» (os nativos do vale) frente ao “grupo-eles” (os de fora); no entanto a relação castelhano/fala tem significado uma relação de dominação e diferenciação de classe: senhor/plebeu, nobre/vassalo, autoridade/subdito, amo/criado, rico/pobre…

Assim, por exemplo, em Valverde, falar em castelhano era “falar carabineiru”. Expressão que nos avisa de como os vizinhos consideravam o uso do castelhano como exótico, estranho, estrangeiro.

Lembremos o facto de que os funcionários das diferentes Administrações nas três localidades, grealmente eram pessoas forâneas e desonhecedoras desta língua que menosprezavam e inclusive proibiam publicamente. Mestres que corregiam expressões das crianças, que eram castigadas por falarem a sua variedade linguística na escola, médicos que não percebem, veterinários que penduram na porta dos seus gabinetes: «AQUÍ SOLO SE RECONOCEN LAS LENGUAS EN CASTELLANO» quando os moradores levavam a língua do porco recém sacrificado para a reconhecer de triquinose…

Em conclusão, a fala não foi historicamente a língua de todos os habitantes das três localidades do Vale de Xálima; foi a língua da imensa maioria, das classes populares. Uma minoria, os ricos, autoridades e funcionários sempre se exprimiram em castelhano, porque consideravan que a fala era uma linguagem inculta, próprio de camponeses e de gente sem estudo…

Nos últimos anos, a fala tem ganho prestígio social e protagonismo cultural. Quem antes a desprezava hoje se apresentam mais defensores dela que ninguém; as famílias “abastadas” que nunca tinham falado nem na sua casa nem com os vizinhos, agora ficam ofendidos quando outros moradores falam em castelhano e replicam ofendidos “Fala-me do lugal!”…

Por isso, ainda que a fala seja um extraordinário património de todos los manhegus, lagarteirus e valverdeirus, a criação e conservação de a fala através dos séculos correspondeu aos humildes, às pessoas comuns de Valverdi, Elhas e São Martinho de Trevelhu. A eles, o nosso maior reconhecimento.

ÍNDICE Texto do trabalho do Grupo Xálima: A FALA DE XÁLIMA: VALVERDEIRU, LAGARTEIRU, MANHEGU. UN TESORO LUSO EXTREMEÑO. Publicado na edição 87 do caderno do Seminário de Estudos Cacerenhos.                                                                       “alcántara.” Quinta temporada. Janeiro-Junho de 2018.

Grupo Xálima

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